Os primeiros sinais da perimenopausa costumam ser falta de energia, cansaço constante, despertar no meio da noite e irritabilidade, junto com um ciclo menstrual um pouco mais curto. Muitas mulheres só percebem a mudança no ciclo quando eu pergunto na consulta.
Se você se reconheceu nessa descrição, este texto explica o que está acontecendo, quais exames fazem sentido e quando procurar a endocrinologista.
O que é a perimenopausa?
Perimenopausa é a fase de transição que vem antes da menopausa. O critério internacional que descreve essa fase se chama STRAW+10. Segundo a Australasian Menopause Society, ela começa quando a duração de dois ciclos seguidos passa a diferir em 7 dias ou mais e termina 12 meses depois da última menstruação.
A menopausa é essa última menstruação, que a mulher só sabe que foi a última depois, quando fica 12 meses sem menstruar.
Quanto tempo dura a perimenopausa?
Segundo a Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá (SOGC), a perimenopausa pode começar de 4 a 8 anos antes da menopausa. Em algumas mulheres, ela dura 10 anos ou mais.
Quais são os primeiros sinais?
Na minha consulta, a primeira queixa costuma ser falta de energia, cansaço constante e irritabilidade com todo mundo. O ciclo geralmente começa a encurtar de forma discreta, e muitas mulheres não notam. Só quando eu pergunto elas percebem que o ciclo ficou mais curto.
Com o tempo, o intervalo entre as menstruações aumenta. Mas algumas mulheres têm muitos sintomas e, ao mesmo tempo, ciclos ainda regulares.
A Australasian Menopause Society lista estes sintomas para essa fase, além do cansaço:
• calorões e suores noturnos
• sono ruim
• mudanças de humor
• dificuldade de concentração e de memória
• menor libido
• sintomas urinários e genitais
• dor nas articulações e nos músculos
Alguns sintomas parecem não ter relação com os hormônios. Eu expliquei isso em sintomas da menopausa que parecem não ter relação com os hormônios, como ombro congelado e tontura.
Preciso de exame de sangue para saber se estou na perimenopausa?
Não para fazer o diagnóstico. Acima de 45 anos, o diagnóstico é clínico, feito pela conversa sobre o ciclo e os sintomas. A Australasian Menopause Society diz que o exame de FSH não é necessário nessa idade, e os exames hormonais não são essenciais para entender essa fase. Abaixo dos 45 anos, o FSH pode ajudar no diagnóstico, mas não é essencial.
Eu peço exames de sangue por outro motivo: descartar outras causas dos sintomas, como alteração da tireoide e diabetes, e avaliar colesterol, glicemia e resistência à insulina. O colesterol costuma subir ao redor da última menstruação, segundo o estudo SWAN, que acompanhou 1.054 mulheres durante a transição. Já a glicemia tende a subir com a idade.
Os exames de imagem são os mais importantes: mamografia, ultrassom de mama e ultrassom transvaginal. Eles mostram se há nódulo na mama ou alteração no endométrio (o revestimento do útero), que pode ser uma contraindicação ao tratamento hormonal.
Ainda posso engravidar na perimenopausa?
Sim. A ovulação fica irregular, mas a gravidez continua possível nessa fase, segundo a SOGC. Por isso a contracepção segue necessária.
Na minha orientação, o ideal é uma destas opções:
• DIU hormonal de levonorgestrel, que também faz parte da terapia hormonal da menopausa porque contém um progestogênio (hormônio parecido com a progesterona)
• vasectomia do parceiro
• anticoncepcional hormonal, que ajuda a equilibrar os hormônios e ainda protege contra a gravidez
Segundo a Australasian Menopause Society, a contracepção continua por 2 anos depois da última menstruação em mulheres com menos de 50 anos, e por 1 ano a partir dos 50.
O que acontece com o peso e com a gordura abdominal?
A perimenopausa muda a composição do corpo. No estudo SWAN publicado no JCI Insight em 2019, o ritmo de ganho de gordura dobrou no começo da transição e a massa muscular diminuiu, e isso continuou até cerca de 2 anos depois da última menstruação. O número na balança pode mudar menos do que a composição do corpo.
Na minha experiência, quem já tem mais peso é quem mais ganha. O acúmulo de gordura na região abdominal faz parte dessa fase.
Controlar o peso, melhorar a alimentação e fazer atividade física podem diminuir esse acúmulo. O objetivo é cuidar da saúde e da composição do corpo, e não voltar ao corpo de 20 ou 30 anos. Para entender melhor, leia por que a gordura abdominal aumenta na menopausa e como tratar.
Quando procurar a endocrinologista?
Marque uma consulta se o cansaço, a irritabilidade ou o sono ruim estão atrapalhando a sua rotina, ou se o seu ciclo ficou mais curto, mais longo ou irregular.
Procure uma reavaliação se tiver algum destes sinais, principalmente quando forem fortes ou persistentes:
• sangramento intenso
• dor na mama
• dor de cabeça
• queixas que não melhoram
• intervalo dos ciclos aumentando progressivamente
• ciclos que somem por 60 dias ou mais
Como é o acompanhamento depois que o tratamento começa?
Quando eu começo a terapia hormonal, reavalio a paciente em 4 a 6 semanas para ver como estão os sintomas. A melhora pode levar de 8 a 12 semanas, por isso o acompanhamento precisa ser mais de perto.
Nos programas de acompanhamento contínuo, como o programa Equilíbrio, eu converso com a paciente também entre as consultas e acompanho a evolução.
Perguntas frequentes
Perimenopausa e menopausa são a mesma coisa? Não. A perimenopausa é a transição e vai até 12 meses depois da última menstruação. A menopausa é essa última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem menstruar.
Perimenopausa dá calorões? Pode dar. Calorões e suores noturnos estão entre os sintomas da fase, segundo a Australasian Menopause Society.
Um exame de sangue confirma a perimenopausa? Não é necessário. Acima de 45 anos, o diagnóstico é clínico.
Quanto tempo leva para o tratamento fazer efeito? Na minha prática, a melhora pode levar de 8 a 12 semanas depois de começar a terapia hormonal. Por isso eu reavalio a paciente em 4 a 6 semanas e novamente depois.
Marque sua consulta
Se você se reconheceu nesses sinais, posso avaliar o seu caso no meu consultório, no Itaim Bibi, em São Paulo. Conheça o tratamento da menopausa e da perimenopausa e agende pelo WhatsApp.
Dra Patricia Gracitelli, MÉDICA endocrinologista, CRM-SP 113018, RQE 69887
Publicado em 03/11/26. Revisado em 03/11/26.